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sábado, 31 de janeiro de 2009

Contentes com isso, BABACAS?!?!?!

1 de fevereiro de 2009. | N° 8333AlertaVoltar para a edição de hoje

ORIENTE MÉDIO

Aumenta o ódio dos palestinos

Extremismo cresceu após ataque de Israel

O ódio que a população de Gaza sente contra Israel após sua violenta ofensiva militar contra o grupo Hamas provocou um aumento do extremismo. O alerta foi dado pelo diretor de operações na Faixa da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), John Ging.

Duas semanas depois do fim dos bombardeios israelenses, o estado de espírito passou de “um sentimento dominante de dor a um de ira” que se alimenta da miséria e da ausência de esperança que envolve os 1,4 milhão de habitantes.

– Há mais extremistas hoje em Gaza do que havia há algumas semanas como resultado direto do conflito, devido à falta de perspectivas de futuro da população – avalia Ging em uma conferência via satélite a partir do território palestino.

Ging alerta que a frustração dos sobreviventes aumenta de um dia para outro, ao se verem impotentes para reconstruir suas casas transformadas em um montão de ruínas.

As passagens fronteiriças seguem praticamente fechadas e se transformaram em um enorme gargalo para a ajuda internacional para Gaza que começa a chegar à região.

Ele afirma que, do lado israelense, há milhares de toneladas de assistência acumuladas à espera de transporte para o território palestino. Só cem caminhões entram em Gaza por dia, o que é insuficiente para alimentar mais de 1 milhão de pessoas que dependem de ajuda externa.

O representante da ONU também lamenta as novas restrições impostas aos materiais que podem ser enviados à Faixa, entre os quais se encontram as sacolas plásticas.

Ging diz que a UNRWA está à espera de uma explicação das autoridades israelenses sobre esta última proibição, atribuída a “razões de segurança”, que dificultará a entrega de 20 mil pacotes com alimentos por dia.
Faixa de Gaza

( de http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2388870.xml&template=3898.dwt&edition=11612&section=128)

É só o amor! Se alguém te dá um soco e revidas, aumentas o ódio!
Retribua à agressão o oposto!
Mostre a outra face!

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Israel viu o tiro sair pela culatra.

Em Gaza, população vê Hamas mais forte

RAPHAEL GOMIDE
do enviado da Folha de S.Paulo à faixa de Gaza

Os 1.300 mortos, cerca de 5.500 feridos e mais de 4.000 casas destruídas na ofensiva militar de 22 dias de Israel na faixa de Gaza representaram a vitória da causa palestina e do Hamas e a derrota de Israel --ao menos na opinião de vítimas dos bombardeios ouvidas ontem pela Folha. Se um dos objetivos de Israel era tentar voltar os palestinos contra o grupo extremista, desestabilizando-o internamente, a tática de ataque pode ter saído pela culatra.

Dos entrevistados, muitos dos quais perderam parentes e suas casas, nenhum criticou os extremistas do Hamas, nem mesmo pessoas ligadas ao rival Fatah.
Abed Rahim Khatib/Efe
Palestinos andam nos escombros de escola na faixa de Gaza
Palestinos andam nos escombros de escola na faixa de Gaza

Para muitos, a destruição e o grande número de mortes de civis pôs a opinião pública mundial ao lado dos palestinos e fez com que o Hamas passasse a ser tratado como governante legítimo de Gaza --o grupo, que venceu as legislativas de 2006, não é considerado interlocutor oficial nem por Israel nem pelos EUA, que o classificam como terrorista.

"Israel não conseguiu nada do que queria e se vingou contra os civis, destruindo tudo. É só destruição civil. É esse um dos maiores Exércitos do mundo?", indaga Ramadan Mahmoud Ghonin, cuja casa foi destruída e usada por Israel como base. "Isso é loucura. Minha vizinha foi morta dentro de casa. Por que atirar em uma mulher? Não conseguiram matar os guerrilheiros, assassinaram mulheres e crianças."

No segundo andar da moradia no bairro de Betlahia, além de latas de atum e embalagens de barras energéticas deixadas por soldados israelenses, havia dezenas de cápsulas de fuzis. "O ódio contra Israel, pelo que houve, é tão grande que não há espaço para reclamar do Hamas", diz Youssef El Awa.

Mártires

Nas ruas de Gaza, as bandeiras verdes do grupo continuam a tremular no alto de mesquitas, casas e postes, ao lado de milhares de pôsteres de "mártires", ostentando fuzis ou não. "Qual é o problema com o Hamas? Ele venceu as eleições, é o governo legítimo", disse o professor Shawqi Ramal Salem, que teve a casa destruída por bombardeio israelense.

Para Karam Basim Selman, "quem ganhou a luta foi o povo palestino, de Gaza". "Todos, qualquer criança, mulher, homem, velho guerrilheiro, todos venceram a guerra, até os mortos. Cada um lutou e desempenhou um papel à sua maneira, mesmo que não tenha pegado em armas", diz Selman.

Muitos argumentam que Israel não obteve êxito militar porque, dizem, matou poucos membros do Hamas e muitos civis, além de não ter destruído muitos dos túneis na fronteira que servem para contrabando --violando o bloqueio econômico imposto a Gaza em junho de 2007, quando o grupo expulsou o rival Fatah do território e assumiu seu controle.

"O Hamas continua no poder. Governos no mundo ficaram a favor da causa palestina contra Israel. [Muitos] já não chamam o Hamas de terroristas, mas de Hamas. Israel fortaleceu a causa palestina e o partido", afirma Omar El Jamal. Para um militante do Fatah, o momento seria de união entre os adversários, mas a suposta "vitória" impede isso por ora. "As duas partes deveriam se aproximar, pois o inimigo principal é Israel. Ainda vejo divisão, e o motivo é que Israel não ganhou a guerra. Se a vencesse, a união provavelmente aconteceria mais facilmente", disse.

(de http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u494469.shtml)

Nossa justiça é como trapos de imundícia...

Famílias que perderam tudo velam ruínas

do enviado da Folha de S.Paulo à faixa de Gaza

O homem de mais de 60 anos que veste paletó surrado sobre uma túnica cinza caminha com o auxílio de uma bengala pelos destroços do que foi sua casa, na fazenda da família, uma das mais ricas de Gaza. A roupa foi o que restou a Abed Rabu Lida dos bombardeios que destruíram completamente as quatro fábricas de material de construção e seis casarões da família --construídos no mesmo terreno, conforme a tradição local.

As moscas e o cheiro dos cadáveres das ovelhas destroçadas expostas ao sol tomam conta do cenário, composto pelas ruínas da luxuosa casa de quatro andares com elevador e os escombros do terreno de 100 mil metros quadrados --enorme para a faixa de Gaza. É quase impossível reconhecer a fazenda. As árvores foram arrancadas pelas raízes e estão tombadas no chão, sem vida, na terra seca revirada que assumiu o lugar do gramado. Num raio de 500 metros, não há nada verde.

Khalil Hamra/AP
Palestinas caminham em corredor de escola destruída durante ofensiva na faixa de Gaza
Palestinas caminham em corredor de escola destruída durante ofensiva na faixa de Gaza

Em uma prédio de quatro andares perto dali, as 23 pessoas de três diferentes famílias sucumbiram a um ataque aéreo que fez desmoronar o edifício. Eram seis adultos e 17 crianças, conta Abdala El Rahi, 13, que perdeu três amigos vizinhos. O irmão de Ahmed Abu Halima não teve a mesma sorte. Luai, 17, foi morto dentro de casa a tiros por soldados israelenses, diz Ahmed.

Em alguns bairros de Gaza, a destruição é total. Dezenas de casas de concreto viraram ruínas como as da família Rabu Lida. Crianças e adultos se ocupam de começar a remover as ruínas, quando ainda resta algo. Em muitos bairros quase todas as casas têm disparos de metralhadora ou buracos de tiros de canhão na parede.

Às 10h30 de ontem, o professor de inglês Shawqi Ramal Salem estava sentado em uma cadeira de plástico em frente a sua casa, no bairro de classe média de Twam. Convidou o repórter para tomar chá. Os buracos na parede são de dois metros de diâmetro. A estrutura, com enormes rachaduras nas paredes, está definitivamente comprometida. "Imagine se estivéssemos aqui." Tudo está chamuscado.

"Trabalhei 30 anos para construir a casa. Estou parado, ainda em choque. Minha geladeira custou US$ 2.000. Mas isso não é nada. Não podemos desistir. Alá deu, dará mais", diz.

Como muitos palestinos, o homem de 57 anos e quatro filhos passa o dia velando a casa e divide a família entre residências de parentes, desde o início da trégua, dia 18. No quarto menos afetado, no primeiro andar, fica o retrato do sobrinho de 23 anos. "É um mártir, morreu há seis anos", explica.