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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Até quando? Mundo teme pelas vítimas do ciclone em Mianmar

Até quando, meu Deus?

Mundo teme pelas vítimas do ciclone em Mianmar

AUNG HLA TUN - REUTERS

YANGON - A preocupação mundial com as cerca de 1,5 milhão de vítimas do ciclone Nargis agravou-se na terça-feira, quando a ONU e potências ocidentais sugeriram que o regime militar pode estar roubando a ajuda humanitária enviada.

Além disso, a forte chuva no delta do rio Irrawaddy torna ainda mais lenta a distribuição de alimentos e outros gêneros essenciais a centenas de milhares de desabrigados.

Especialistas dizem que só 10 por cento da ajuda necessária está sendo distribuída, e críticos dizem que o regime militar deveria se empenhar mais -- inclusive permitindo o acesso de estrangeiros à área do desastre, onde até 100 mil pessoas morreram.

Michele Montas, porta-voz da ONU, disse a jornalistas em Nova York que a entidade está preocupada com a hipótese de os alimentos estarem sendo desviados na antiga Birmânia para pessoas que não foram vitimadas pelo ciclone.

O embaixador britânico na ONU, John Sawers, fez eco a esses rumores, embora tenha admitido que não há provas. França, Estados Unidos e União Européia pediram que a junta militar autorize a entrada de mais funcionários humanitários estrangeiros. A Espanha disse que recusar ajuda é um crime contra a humanidade.

A França disse ter apoio da Grã-Bretanha e da Alemanha para propor no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que autorize o envio de ajuda mesmo sem a autorização do governo birmanês.

"Pedimos que [o conceito de] 'responsabilidade de proteger' seja aplicado no caso da Birmânia", disse o vice-ministro francês para Direitos Humanos, Rama Yade.

O conceito de "responsabilidade de proteger" foi introduzido em 2005 por uma resolução da ONU, para ajudar vítimas de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, mas não em caso de desastre natural.

Uma autoridade britânica disse que seria positivo discutir sua eventual aplicação neste caso, mas considera que uma resolução nesse sentido seria reprovada, devido às objeções de Rússia e China.

MAIS AVIÕES

Um dia depois da chegada do primeiro avião norte-americano com ajuda, um cargueiro militar australiano pousou em Yangon, maior cidade do país, transportando 31 toneladas de mantimentos.

Mais dois vôos dos EUA chegaram na terça-feira, como parte de um esforço para buscar a confiança dos generais birmaneses.

Onze dias depois da tragédia, desabrigados se amontoam em escolas e mosteiros budistas de todo o delta do Irrawaddy. Muitas aldeias, que já eram miseráveis, estão completamente destruídas.

"Onde estou agora há mais de 10 mil desabrigados e está chovendo muito", disse Bridget Gardener, da Cruz Vermelha Internacional, uma dos poucos profissionais humanitários autorizados a visitarem a região.

A TV estatal disse que seis barcos com 500 toneladas de produtos zarparam na terça-feira de Yangon em direção ao delta.

Um empresário de Yangon que voltou de uma missão pessoal de ajuda em Bogalay, uma cidade onde houve pelo menos 10 mil mortes, disse à Reuters que os soldados estão se apropriando da ajuda que chega.

"Ainda há algumas aldeias nas áreas mais atingidas aonde ninguém chegou", disse o homem. "Em torno de Bogalay, doadores privados não são autorizados a distribuir sua assistência às vítimas por conta própria. Tivemos de entregar tudo o que tínhamos."

(Reportagem adicional de Louis Charbonneau, nas Nações Unidas, Carmel Crimmins, em Bangcoc; David Brunnstrom e Ingrid Melander, em Bruxelas)


(de http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid172199,0.htm)

Mortos ultrapassam 34 mil em Mianmar; governo ignora apelo da ONU

Este sim é um caso que justifica a intervenção! Quantos vão morrer antes que haja uma intervenção que destitua estes estúpidos militares de Mianmar? Ninguém se compadece? E aí, Bush? Tão rápido para invadir o Afeganistão e o Iraque e tão lerdo para outras coisas...!

Mortos ultrapassam 34 mil em Mianmar; governo ignora apelo da ONU


Colaboração para a Folha Online

O número de mortos pelo ciclone Nargis em Mianmar chegou a 34.273 além de 1.403 feridos e 27.836 desaparecidos, informou a rádio estatal do país nesta terça-feira.

"De acordo com as últimas informações, 34.273 pessoas morreram, 1.403 ficaram feridas e 27.836 estão desaparecidas", anunciou a emissora.

O último balanço oficial do ciclone que devastou a costa sudeste do país no dia 3 de maio era de 31.938 mortos e 29.770 desaparecidos. No entanto, a ONU calcula que a quantidade de mortos é superior a 100 mil e que milhares de pessoas correm o risco de falecer caso a ajuda não chegue rapidamente a 1,5 milhão de sobreviventes.

A ONU propôs nesta terça-feira estabelecer uma "ponte aérea" para Mianmar e evitar, assim, uma "segunda catástrofe", mas a junta militar que governa o país continua impassível e insiste em controlar a distribuição da ajuda humanitária.

Junta militar

O regime também mantém sua determinação de rejeitar as pressões internacionais para autorizar com mais rapidez o desembarque de ajuda às vítimas, além de reafirmar que não permitirá a entrada de muitos voluntários, 11 dias após a tragédia.

"No momento, a nação não precisa de trabalhadores humanitários especializados", garantiu o vice-almirante Soe Thein, alto conselheiro da junta que governa Mianmar desde 1962, em entrevista ao jornal governamental "New Light of Myanmar".

Ainda segundo ele, as necessidades de centenas de milhares de sobreviventes de uma das piores catástrofes naturais dos últimos anos "foram supridas em grande parte".

Diante da gravidade da crise humanitária, a Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) advertiu que é necessário estabelecer "uma ponte aérea, ou marítima" para enviar ajuda "o mais rápido possível" e evitar uma "segunda catástrofe" no país.

Em uma coletiva de imprensa, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou "sua preocupação e sua imensa frustração diante da lentidão inaceitável da resposta a essa grave crise humanitária".

O presidente americano, George W. Bush, um dos maiores críticos da junta birmanesa, afirmou que "o mundo deve estar irritado e condenar" o regime asiático.

União Européia

Após uma reunião ministerial de emergência, a União Européia (UE) exigiu "das autoridades birmanesas que ofereçam um acesso livre de qualquer obstáculo aos especialistas humanitários, incluindo a rápida entrega de vistos".

A UE também reivindicou a adoção de "medidas urgentes para facilitar a chegada da ajuda às pessoas necessitadas que devem se beneficiar plenamente da assistência oferecida pela comunidade internacional".

O comissário europeu de Desenvolvimento, Louis Michel, anunciou ter obtido um visto para entrar em Mianmar. Ele viajará para Bangcoc e, então, seguirá para Yangun.

Diante do elevado risco de fracasso da missão, os ministros da UE rejeitaram uma proposta francesa para exigir da ONU que imponha a ajuda internacional à junta.

Doenças

Apesar de o ritmo de entrada de ajuda estrangeira ter se acelerado desde domingo, as necessidades continuam sendo imensas para sobreviventes desesperados e isolados, nas zonas do delta do Irrawaddy (sudoeste), onde ainda flutuam cadáveres em decomposição. A ONU alertou para possíveis epidemias de dengue e malária.

Até agora, as operações de socorro haviam permitido responder a apenas de 10% a 20% das necessidades de água potável, víveres e materiais, segundo a ONU.

Depois de visitar diferentes localidades afetadas, a responsável pela Cruz Vermelha em Yangun, Bridget Gardner, declarou que a população "precisa desesperadamente de alojamento, água potável e cuidados básicos".

Na cidade de Labutta, "mais de dez mil pessoas estão sem abrigo, quando as intensas chuvas já haviam começado", disse Gardner, em nota divulgada em Genebra.

Os trabalhadores humanitários estrangeiros dizem ter dificuldades logísticas. Pelo menos 50 dos que trabalham para agências da ONU e para ONGs continuam esperando seus vistos para entrar em Mianmar.

Depois da chegada de um primeiro avião cheio de ajuda, segunda-feira, a Yangun, os Estados Unidos enviaram hoje mais um aparelho. Um terceiro avião também deve chegar em breve.

Com France Presse

(de http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u401534.shtml)