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sexta-feira, 9 de maio de 2008

Reino Unido desperdiça R$33 bi em alimentos por ano

De um lado este carnaval, do outro a fome total. Mundo tão desigual!

Reino Unido desperdiça R$33 bi em alimentos por ano

Estima-se que esse desperdício custe entre R$1,3 e 2 mil por ano para cada família britânica

Agências Internacionais

SÃO PAULO - Um novo estudo analisou a quantidade de comida jogada fora nos lixeiras públicas do Reino Unido e encontrou que todo ano os ingleses desperdiçam cerca de 10 bilhões de libras em alimentos (R$ 33 bilhões), segundo o jornal The Independent.

Segundo o relatório do governo, todos os dias são jogados fora 4,4 milhões de maçãs, 1,6 milhões de bananas, 1,3 milhões de potes de iogurte, 660 mil ovos e 550 mil frangos. Pela primeira vez os pesquisadores determinaram que a maior parte do desperdício concerne produdos intocados e em perfeitas condições.

Estima-se que o custo desse desperdício seja de 420 libras (R$ 1,3 mil) para famílias sem filhos e 610 libras (R$2 mil) para famílias com crianças por ano.

A campanha conta o desperdício do governo, chama Wrap, revelou a extenção da cultura de jogar fora alimentos no Reino Unido após analisar as lixeiras de mais de duas mil pessoas que se inscreveram para a audição de detritos.

A notícia vem em um contexto onde milhares morrem de fome no mundo e os preços dos alimentos aumentam a cada dia no Reino Unido (eles subiram 4,7% no último mês).

(d´O Estadão: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid169732,0.htm)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Caiu a ficha: Republicanos pedem abandono da meta de etanol nos EUA

Como demoraram a perceber, heim?

Republicanos pedem abandono da meta de etanol nos EUA

Senadores questionam uso de milho na produção de biocombustíveis em meio à crise global dos alimentos

DEISE VIEIRA - Agencia Estado

WASHINGTON - Republicanos do Senado dos Estados Unidos querem que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) considere o abandono do mandato de produção de etanol (álcool combustível) em meio ao avanço dos preços dos alimentos. Um total de 22 senadores republicanos, incluindo John McCain, candidato à presidência dos EUA, enviaram uma carta à EPA.

Veja também:

linkEntenda a crise dos alimentos no mundo especial

linkDois morrem em protesto contra preço de alimentos na Somália

linkRelator da ONU pede suspensão de investimentos em biocombustíveis

linkEtanol do Brasil não altera preços dos alimentos, diz FMI

Segundo eles, a agência tem autoridade para abandonar, ou reestruturar, uma lei aprovada pelo Congresso americano que exige um aumento expressivo na produção de etanol nos EUA até 2022.

Legisladores estão levantando questões sobre potenciais conseqüências indesejadas do uso de milho na produção de etanol em meio ao aumento da demanda global por alimentos. As informações são das agências de notícias internacionais.


(de http://www.estadao.com.br/economia/not_eco167497,0.htm)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Alta de alimentos desafia tendências globais

Virtus in medium est... Em nenhum dos extremos.

Alta de alimentos desafia tendências globais
Fernando Lopes
18/04/2008


Davilym Dourado/Valor
"Vivemos o início de um fenômeno que compreendemos mal", afirma o diplomata e ex-ministro Rubens Ricupero
Mais do que refletir um desajuste entre oferta e demanda aprofundado pela onda dos biocombustíveis, o progressivo aumento dos preços dos alimentos ao redor do mundo deflagrou um debate global em torno do futuro das relações comerciais internacionais e da eficácia de modelos e técnicas de produção que se consolidaram a partir da revolução verde, que já comemora seu cinqüentenário.


Dessas discussões, acredita Rubens Ricupero, surgirão novos conceitos. E, à luz dos "complexos problemas" atuais, uma "multiplicidade de decisões" terá de ser adotada para resolvê-los, com efeitos sobre um rearranjo de forças econômicas já em andamento. "De certa forma", diz o diplomata, ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco e ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), "é tranquilizador saber que isso vai acontecer".


Para Ricupero, diretor da Faculdade de Economia e Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) desde 2005, "vivemos o início de um fenômeno que compreendemos mal". Ele afirma que tem acompanhado de perto o desenrolar das polêmicas sobre a questão, sempre acompanhadas de diagnósticos e projeções, mas que sente falta de uma análise mais aprofundada sobre alguns fatores que, em sua opinião, podem mudar o rumo dos acontecimentos.


O primeiro ponto, atenta, é que "tudo o que se afirma é por aproximação". Não há, em sua visão, respostas empiricamente comprovadas para mensurar influências como os problemas climáticos que já castigam algumas regiões, o real vínculo entre os preços do petróleo e das commodities agrícolas, os subsídios energéticos em países desenvolvidos ou mesmo o tamanho da futura demanda de países como China e Índia, entre outros emergentes responsabilizados pela espiral inflacionária que chega a encarecer produtos que sequer consomem. Ricupero lembra, por outro lado, que preços de produtos como o açúcar, por exemplo, não estão em linha com a tendência geral de valorizações.


O segundo ponto levantado pelo diplomata diz respeito à relação entre oferta e demanda em si. Ele acredita que a velha máxima de que ambos sempre se encontrarão no futuro, em um equilíbrio regulado pelo mercado, pode estar com os dias contados, uma vez que há limitações físicas no horizonte. É o caso do petróleo, cuja oferta deveria estar mais abundante se dependesse apenas dos preços - elevados há pelo menos dois ou três anos -, mas que começa a encontrar limitações em países como a Rússia e que já declina no México e em outros produtores.


Menos badalada, a produção de fertilizantes encara cenário semelhante, até porque as matérias-primas derivadas do nitrogênio e que compõem os adubos vêm exatamente do petróleo. "As cotações do petróleo não voltarão mais [aos níveis anteriores à atual escalada], portanto o efeito dessa alta sobre os fertilizantes poderá ser permanente". No caso do potássio, outra importante fonte de nutrientes para a agricultura, as perspectivas de Ricupero são igualmente pessimistas, já que o produto é extraído de poucas minas e a expansão da oferta exige investimentos vultosos.


Ainda na relação entre oferta e demanda, afirma Ricupero, não se sabe ao certo até que ponto a produção de alimentos está sendo influenciada pelo já presente fenômeno do aquecimento global. A Austrália, lembra, vem de seis anos seguidos de seca, o que praticamente dizimou sua produção de arroz. Grande parte dos rizicultores do país vendeu os direitos que tinha para o uso de água e abandonou a cultura, transformando uma escassez conjuntural em definitiva.


Outra faceta do segundo ponto levantado por Ricupero envolve o acelerado processo de degradação e erosão de solos e os avanços tecnológicos necessários para corrigi-las. Proliferam-se estudos que mostram a queda das despesas dos governos com pesquisas agrícolas - no Brasil inclusive - e a concentração desses gastos em grandes multinacionais privadas.


Ricupero usa o gancho para entrar em uma seara que costuma provocar celeuma: o conflito entre o agronegócio e a agricultura familiar. "É preciso entender que a agricultura em larga escala não vai resolver a fome no mundo". Após as inúmeras visitas que fez pela Unctad a países pobres como Etiópia e Burundi, na África, ele está convencido de que "a verdade não está nos extremos", e que é "simplismo achar que todos os problemas podem ser resolvidos pela ciência". Por isso, defende a importância da agricultura familiar e cooperativista, além do estabelecimento de políticas específicas para populações que vivem em condições de insegurança alimentar.


"Em regiões como essas, talvez o agronegócio até tenha condições de gerar oferta. Mas quem teria dinheiro para pagar?", questiona. Ricupero observa que tradicionais grandes doadores globais de alimentos, como os EUA, reduziram muito as ajudas nos últimos anos. Quase em resposta ao diplomata, na quinta-feira mesmo Washington reforçou a promessa de liberar US$ 200 milhões adicionais em ajuda alimentar emergencial para países pobres como os africanos mencionados por Ricupero.


Outro movimento destacado pelo ex-secretário da Unctad é o da "comida zero quilômetro", produzida localmente, com menos tecnologia, para abastecimento de mercados locais. Os orgânicos normalmente entram nesse raciocínio - mas não apenas nesse, já que embutem um apelo de marketing interessante.


O terceiro ponto que começa a ser sacudido pelo aumento global dos alimentos é a política de liberalização do comércio agropecuário. "Toda vez que há uma súbita alta de preços e risco de escassez, como agora, a questão vem à tona". Ricupero considera que o auge da liberalização se deu entre 1880 e a primeira guerra mundial, quando as exportações de alimentos turbinaram o crescimento dos EUA e da Argentina, que chegou a representar a quarta principal força econômica do globo. Depois das duas guerras, porém, a auto-suficiência alimentar voltou à agenda.


Tanto que no fim dos anos 1950 nasceu na Europa a Política Agrícola Comum, pavimentando, diz o diplomata, o caminho para o surgimento da União Européia. A revolução verde e suas tecnologias, sobretudo fertilizantes e defensivos, amenizaram temores de desabastecimento e abriram espaço para a queda de subsídios e barreiras tarifárias, mas Ricupero se recorda que desde a Rodada Uruguai de negociações para a liberalização do comércio o argumento de que agricultura não é indústria e demanda um maior grau de controle está sobre a mesa.


Afinal, indaga, o que seria do "modo asiático de produção agrícola", com milhões de pequenos produtores ineficientes, com a liberalização total do comércio? E ele mesmo responde: "Esse pessoal seria simplesmente aniquilado".

(da ValorOnLine - http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/especial/Alta+de+alimentos+desafia+tendencias+globais,08184,,59,4886895.html)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Oitavo Mandamento: Mentirás (?)

Vejam só... Diz exatamente o que eu penso a respseito dessa história toda. Triste verdade!


OITAVO MANDAMENTO: MENTIRÁS


UMA MENTIRA - Até há pouco tempo, os grandes meios nos presenteavam, diariamente, com cifras alegres sobre a luta internacional contra a pobreza. A pobreza estava batendo em retirada, embora os pobres, mal informados, não soubessem da boa notícia. Os burocratas melhor pagos do planeta estão confessando, agora, que os mal informados eram eles. O Banco Mundial divulgou a atualização de seu International Comparison Programa. Do trabalho participaram, além do Banco, o Fundo Monetário Internacional, as Nações Unidas, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento econômico e outras instituições filantrópicas, nele os especialistas corrigem alguns errinhos dos informes anteriores. Entre outras coisas, ficamos sabendo agora que os pobres mais pobres do mundo, os “indigentes”, somam quinhentos milhões a mais do que os que apareciam nas estatísticas. Além disso, tomamos conhecimento de que os países pobres são muito mais pobres do que diziam os números, e que sua desgraça piorou enquanto o Banco Mundial lhes vendia a pílula da felicidade do mercado livre. E como se fosse pouco, a desigualdade universal entre pobres e ricos foi mais medida, e em nível planetário o abismo ainda é mais profundo do que o do Brasil, sim, há países injustos.

OUTRA MENTIRA - Ao mesmo tempo, um ex-vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, em um trabalho conjunto com Linda Bilmes, pesquisou o custo da guerra do Iraque. O presidente George W. Bush havia anunciado que a guerra poderia custar, no máximo, US$ 50 bilhões, o que à primeira vista não parecia muito em se tratando da conquista de um país tão rico em petróleo. Eram números redondos, ou melhor, quadrados. A carnificina do Iraque dura mais de cinco anos, e neste período os Estados Unidos gastaram US$ 1 bilhão matando civis inocentes. Desde as nuvens, as bombas matam sem saber quem. Sob a mortalha de fumaça, os mortos parecem não saber o motivo. Aquele número de Bush basta apenas para financiar um trimestre de crimes e discursos. A quantia mentia, a serviço desta guerra, nascida de uma mentira, que continua mentindo.

E MAIS UMA MENTIRA - Quando todo mundo já sabia que no Iraque não havia mais armas de destruição em massa além das usadas por seus invasores, a guerra continuou, embora tenha esquecido seus pretextos. Então, em 14 de dezembro de 2005, os jornalistas perguntaram quantos iraquianos morreram nos dois primeiros anos de guerra. E o presidente Bush falou do tema pela primeira vez. Respondeu: “Cerca de 30 mil, mais ou menos”. E a seguir fez uma piada, confirmando seu sempre oportuno senso de humor, e os jornalistas riram. No ano seguinte reiterou o número. Não esclareceu que os 30 mil se referiam aos civis iraquianos cuja morte apareceram nos jornais. O número real era muito maior, como ele bem sabia, porque a maioria das mortes não é publicada, e embora também soubesse que entre as vítimas havia muito idosos e crianças. Essa foi a única informação proporcionada pelo governo dos Estados Unidos sobre a prática do tiro ao alvo contra civis iraquianos. O país invasor só considera a conta, detalhada, de seus soldados que tombaram. Os demais são inimigos, ou danos colaterais, que não merecem ser contados. E, em todo caso, contá-los seria perigoso: essa montanha de cadáveres poderia causar má impressão.

E UMA VERDADE - Bush vivia seus primeiros tempos na presidência quando em 27 de julho de 2001 perguntou aos seus compatriotas: Vocês podem imaginar um país que não seja capaz de cultivar alimentos suficientes para alimentar sua população? Seria uma nação exposta a pressões internacionais. Seria uma nação vulnerável. E por isso, quando falamos da agricultura americana, na realidade falamos de uma questão de segurança nacional. Dessa vez, o presidente não mentiu. Ele defendia os fabulosos subsídios que protegem o campo de seu país. “Agricultura americana” significava, e significa, nada mais do que “agricultura dos Estados Unidos”. Entretanto, é o México, outro país americano, o que melhor ilustra seus acertados conceitos. Desde que assinou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos, o México não cultiva alimentos suficientes para as necessidades de sua população, é uma nação exposta a pressões internacionais e é uma nação vulnerável, cuja segurança nacional corre grave risco? Atualmente, o México compra dos Estados Unidos US$ 10 bilhões de alimentos que poderia produzir; Os subsídios protecionistas tornam impossível a competição; As tortilhas mexicanas continuam sendo mexicanas pelas bocas que as comem, mas não pelo milho da qual são feitas, importado, subsidiado e transgênico; O tratado havia prometido prosperidade comercial, mas a carne humana, camponeses arruinados que emigram, é o principal produto mexicano de exportação. Há países que sabem se defender. São poucos. Por isso são ricos. Há outros treinados para trabalhar por sua própria perdição. São quase todos só demais. Por Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, autor de As veias abertas da América Latina, Memórias do fogo e Espelhos/Uma historia quase universal. (Envolverde/IPS).

(via Jornal Absoluto de 14/04/2008)