terça-feira, 24 de junho de 2008

As perspectivas não sáo boas...

...pois o mundo cada vez se fecha mais em sua, como dizer? Tacanhez? Idiotice? Egoísmo?

A Europa perdeu a paciência

José Pastore*

A União Européia (UE) aprovou uma dura lei de imigração. Vai prender e deportar os imigrantes ilegais.

Como vai funcionar isso? Os imigrantes terão um prazo de até 30 dias para deixar voluntariamente o país onde vivem. Os que não saírem, serão notificados oficialmente. Se desobedecerem, serão presos. Em seguida, expulsos, aliás, "removidos". Os europeus acham essa palavra mais suave...

Apesar de a lei ter um prazo de carência, esperam-se manifestações sociais imediatas tanto de imigrantes quanto de nativos. O assunto é explosivo.

A Europa está numa encruzilhada. Na maioria dos países, a população diminui. A Itália e a França pagam para as moças terem uma criança. Poucas se animam. A população envelhece e não há reposição. Em 2050, a população com mais de 65 anos na força de trabalho será de 60%! Muitos já estarão aposentados. Faltarão jovens para trabalhar. Isso significa que a Europa precisa de gente de fora, o que os nativos detestam. Temem perder seus empregos para os imigrantes e, em especial, para os seus filhos que estão se educando melhor.

O temor é justificável. Os países da UE, especialmente os do antigo lado ocidental (França, Itália, Bélgica e outros), têm gerado poucos empregos. A maior dificuldade para gerar empregos é o excesso de regulamentação nacional e, agora, internacional, para toda a UE. As restrições para dispensar empregados, por exemplo, atuam como inibidor de novas vagas.

O Banco Mundial calcula o índice de dificuldade para gerar empregos. Quanto mais alto, mais difícil. Gerar um emprego em Portugal, por exemplo, é 48 vezes mais difícil do que nos EUA. Na França e na Espanha, 56 vezes. Com isso, o desemprego cresce. O desemprego é alto não porque os candidatos são muitos - como ocorre no Brasil -, mas porque os empregos são poucos.

Para os trabalhadores o que mais machuca é a atual falta de empregos. Para a economia, é a futura falta de empregados. Para os políticos, é falta de votos dos eleitores (nativos) que estão mais preocupados com os empregos do presente do que com os filhos do futuro. Por isso, conservadores e liberais votaram juntos. Os socialistas e os verdes foram mais bonzinhos: pleitearam um período mais curto de prisão...

É claro que nenhum país pode admitir a ilegalidade. Mas, é claro, seria possível acertar isso se houvesse um interesse genuíno em contar com essa mão-de-obra. Os europeus querem trabalhar pouco, ter um bom seguro-desemprego, desfrutar de uma aposentadoria generosa, usufruir licenças longas e manter altos salários. Isso é muito caro. Ademais, precisa ser sustentado pelos jovens. Até quando esse estilo de vida vai durar num mundo que é obrigado a enfrentar a concorrência da China, da Índia e de outros países emergentes?

Com orçamentos deficitários por causa do excesso de despesas com seguro-desemprego prolongado, aposentadorias e licenças invejáveis e, ainda, com o problema demográfico que já está instalado, os especialistas estimam um alarmante declínio no crescimento econômico da Europa dos 2,3% atuais para 1,8% em 2010 e 1,3% em 2030.

A única coisa que não pára de crescer é a imensa burocracia que sai diariamente dos milhares de funcionários de Bruxelas, aliás, nem sempre aprovada. Pelo veto da França e da Holanda, a alta administração viu frustrado o sonho de aprovar uma Constituição para a UE. A frustração aumentou há duas semanas quando uma tentativa de substituir a natimorta Constituição por uma regulação mais simples foi para os ares com a rejeição da Irlanda ao Tratado de Lisboa.

No mundo do trabalho a retórica é das mais fascinantes. As palavras da moda são "diálogo social", "trabalho decente" e "ações antidiscriminação". Ao lado disso, é votada essa lei draconiana contra os imigrantes ilegais. Em 2004 proibiram o trânsito de trabalhadores dos países recém-ingressados na UE (Estônia, Letônia, Lituânia, Eslováquia, Eslovênia, República Checa, Hungria, Polônia, Malta e Chipre). O livre trânsito foi um dos pilares básicos na formação da Comunidade Européia. Em 2007, a burocracia repetiu a dose, ao proibir a mobilidade dos cidadãos da Romênia e Bulgária que acabavam de entrar na UE. Correndo por fora, as barreiras contra o comércio dos países emergentes estão cada vez mais altas.

A retórica é bonita. A prática é feia. Para quem deseja construir uma comunidade com base em princípios da democracia e da solidariedade parece existir um longo caminho a percorrer.

*José Pastore é professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo. Site: www.josepastore.com.br


(de http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/not_imp194698,0.php)

A OTAN, kkkkkkk!

A poderosa Otan (Nato), kkkkkkk! Não consegue dominar o pobre Afeganistão!

Ópio rendeu US$ 100 mi ao Talebã em 2007, diz ONU

Movimento islâmico cobra imposto de 10% de agricultores afegãos.

CABUL - O Talebã obteve mais de US$ 100 milhões em 2007 com o comércio de ópio no Afeganistão, disse o diretor do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antônio Maria da Costa.

Em entrevista na Rádio 4 da BBC, Costa disse que os recursos foram obtidos com um imposto de 10% cobrado de agricultores das áreas controladas pelo Talebã.

A ONU estima que a colheita do ano passado de papoulas, usadas como matéria-prima para a produção do ópio, teve um valor de US$ 1 bilhão.

Segundo Costa, o Talebã ganhou mais dinheiro ainda com outras atividades relacionadas ao comércio de ópio.

"Uma delas é a proteção a laboratórios e a outra é que os insurgentes oferecem proteção à carga, transportando ópio através da fronteira", disse o funcionário da ONU.

As estatísticas finais para a colheita deste ano ainda não foram divulgadas, mas acredita-se que ela será menor por causa de seca, infestação e a proibição do cultivo de papoulas imposta no norte e leste do Afeganistão.

Isso vai levar a uma redução da receita obtida com a droga, "mas não muito", afirmou Costa.

Nos últimos anos houve uma grande produção de papoulas, e os agricultores afegãos cultivaram mais do que a demanda global.

"No ano passado, os afegãos produziram cerca de 8 mil toneladas de ópio", afirmou Costa.

"O mundo, nos últimos anos, consumiu cerca de 4 mil toneladas de ópio, o que deixa um excedente."

"Ele está armazenado em algum lugar, não com os agricultores", acrescentou.

Os estoques representam centenas de milhões de dólares e não se sabe se eles estão nas mãos de traficantes, autoridades afegãs corruptas, políticos ou do Talebã.

Segundo autoridades britânicas, a receita obtida com as drogas financia operações militares do Talebã. BBC Brasil


(de http://www.estadao.com.br/geral/not_ger194857,0.htm)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Muro de Berlim nos EUA - Eles se tornaram como seus inimigos...

Vejam só! Muros e cercas, impedindo o ir e vir! O país da "liberdade"...

EUA aprovam construção de cerca na fronteira com o México
Medida derruba petição de ambientalistas, que se opunham à construção que passará por reserva ambiental
Associated Press
WASHINGTON - A Suprema Corte americana deu luz verde ao governo para acelerar a construção de uma cerca na fronteira dos Estados Unidos com o México, ao rejeitar nesta segunda-feira, 23, uma petição criada por grupos de defesa ambiental que visava restringir o poder do governo do presidente George W. Bush.
O secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff, passou por cima das leis ambientais e outras medidas e outorgou a construção de vários quilômetros de cercas ao redor dos quatro Estados que dividem a fronteira com o México.
O caso rechaçado pela Corte passará por quase 3,2 quilômetros na Área de Conservação Nacional San Pedro Riparian (NCA), no Arizona. A seção nesta região já foi construída.
"Estou extremamente decepcionado com a decisão da Corte", disse o legislador democrata Bennie Thompson. "Isso só prolongará a situação que o Estado não está enfrentando na realidade: sua carência de um plano integral na segurança fronteiriça", acrescentou.
Thompson preside o Comitê de Segurança da Câmara de Representantes. Ele e outros 13 democratas da Câmara Baixa - incluindo seis presidentes de outros comitês - apresentaram sumário apoio à petição dos ambientalistas.
No começo do ano, Chertoff passou por cima de mais de 30 leis e regulamentos em um esforço para terminar a construção de 1.078 quilômetros de cercas ao longo da fronteira no sul dos EUA.
Funcionários do governo americano disseram que ao invocar as dispensas legais - autorizadas pelo Congressos nas leis de 1996 e 2005 - a medida passa atrás de uma rede burocrática, evitando as leis ambienteis que se colocam contra a construção.

(de http://www.estadao.com.br/internacional/not_int194444,0.htm)

Então, do que vocês estã reclamando???

Salário da baixa renda sobe 4 vezes mais que de ricos, indica Ipea

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

Os salários dos trabalhadores de menor renda subiram quatro vezes mais na comparação com os ocupados de renda mais alta, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta segunda-feira.

Para a análise, o instituto divide os trabalhadores ocupados em dez faixas, sendo a primeira os 10% com menor renda e, assim por diante, até a última, com os 10% com maiores rendimentos.

Os 10% com menor renda registraram aumento de 21,96% nos salários entre 2003 e 2007, passando de R$ 169,22 mensais para R$ 206,38, em média.

Já os 10% com maior renda registraram ganhos de 4,91%, passando de salário médio de R$ 4.625,74 em 2003 para R$ 4.853,03, no mesmo intervalo.

Dentro desse período, a maior variação da baixa renda foi observada entre 2006 e 2007, quando os salários registraram ganho de 9,4%, na média. No mesmo intervalo, a média de aumento salarial foi de 3,2%, considerando todas as faixas de renda. Já o grupo dos maiores rendimentos registrou aumento de 2,6%, em média.

Índice de Gini

O principal reflexo desse movimento é a redução da desigualdade de renda, com queda no Índice de Gini entre ocupados --indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual).

Segundo a pesquisa, o índice era de 0,540 em 2002, considerando apenas os ocupados, e não a renda geral da população, que pode incluir benefícios ou programas sociais. Já em 2007, esse número caiu para 0,509.

Considerando os dados trimestrais, o Índice de Gini registrou queda de 0,543, no quarto trimestre de 2002, para 0,505, no primeiro trimestre de 2008, o que representa uma redução de 7%.

Ainda na análise por trimestre, o índice chegou a seu nível mais baixo com 0,502 no terceiro trimestre de 2007, após a maior queda da série (o índice estava em 0,514 no trimestre anterior).

(de http://tools.folha.com.br/print?site=emcimadahora&url=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha%2Fdinheiro%2Fult91u415235.shtml)

Como issso cheira mal!

Vejam só... Como é que tem gente que chama o petróleo mesmo?

Petrolíferas fecham contrato sem concorrência no Iraque, diz "NYT"


Colaboração para a Folha Online

Gigantes petrolíferas ocidentais --como a Exxon Mobil, Shell, Total e BP (British Petroleum)-- estão em fase final de acertos com o Iraque para voltarem a explorar as reservas petrolíferas do país sob contratos firmados sem concorrência, revela o "New York Times".

As companhias estão há 36 anos longe do país, desde que o ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein, nacionalizou as concessões das empresas. A expectativa é de que os acordos sejam anunciados no próximo dia 30. O jornal cita como fontes funcionários das petrolíferas e do Ministério do Petróleo iraquiano, além de um diplomata americano.

Segundo a reportagem do diário americano, os contratos sem concorrência são raros na indústria, e as empresas deixaram para trás "mais de 40 companhias, incluindo petrolíferas da Rússia, China e Índia". Ainda de acordo com o "NYT", "os contratos terão duração de um a dois anos e são relativamente pequenos para os padrões da indústria, mas, no entanto, dariam às companhias uma vantagem em disputas por futuros contratos".

O jornal cita desconfianças no mundo árabe e entre o público americano, que suspeitam de que os Estados Unidos só foram à guerra no Iraque para assegurar o petróleo que essas empresas agora buscam explorar.

De acordo com o jornal, "não está claro qual foi o papel desempenhado pelos EUA no fechamento dos contratos" e ainda há "conselheiros americanos no Ministério do Petróleo iraquiano".

Altos funcionários de duas das companhias beneficiadas disseram ao jornal, sob condição de anonimato, que "ajudavam o Iraque a reconstruir sua decrépita indústria do petróleo".

Aumento da produção

O governo iraquiano disse, de acordo com o jornal americano, que seu objetivo, ao chamar as petrolíferas é "aumentar a produção de petróleo em meio milhão de barris por dia, atraindo tecnologia moderna e conhecimento técnico".

Atualmente, o barril do petróleo bate na casa dos US$ 140. Os contratos, sugere o jornal, são uma grande oportunidade para que as gigantes petrolíferas reponham suas reservas, enquanto o petróleo dá sinais de esgotamento em todo o mundo.

Segundo um porta-voz do Ministério, os contratos sem concorrência foram uma medida emergencial para trazer "habilidades modernas aos campos de petróleo enquanto a lei petrolífera está pendente no Parlamento".

De acordo com os dois altos funcionários entrevistados pelo "New York Times", "os contratos são uma continuação de um trabalho que as companhias vêm conduzindo junto ao Ministério do Petróleo, ao longo de dois anos de memorandos de entendimento".

Segundo eles, as companhias cederam aconselhamento e treinamento gratuito aos iraquianos e, por isso, os contratos não foram abertos à concorrência pública. Segundo o jornal, 46 companhias mantiveram contatos, através de memorandos, com as autoridades iraquianas, mas não foram beneficiadas.



(de http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u414029.shtml)

Xiiiii! Equipe de Obama tem ligações com a indústria do etanol...

Triste! Será mesmo verdade? Se for, já sabem... Mas o mundo é assim... Mas... Veja quem escreve! O polêmico Larry Rohter! Não acredito muito nesse cara, não!

Equipe de Obama tem ligações com a indústria do etanol

Empresas indicam os principais consultores do senador, que endossa o biocombustível como alternativa

Larry Rohter - The New York Times

Obama discursa para eleitores em Iowa, segundo maior Estado produtor de milho dos EUA

AP/ arquivo

Obama discursa para eleitores em Iowa, segundo maior Estado produtor de milho dos EUA

NOVA YORK - Quando a VeraSun, uma das maiores fabricantes de etanol dos Estados Unidos, inaugurou sua nova instalação no último verão em Charles City, Iowa, alguns dos mais proeminentes pioneiros da indústria participaram do evento. Líderes de associações dos produtores de milho e de combustíveis renováveis, compareceram para cortar as fitas da nova indústria, assim como o senador Barack Obama.

Veja também:

linkObama x McCain

linkConheça a trajetória dos candidatos especial

linkCobertura completa das eleições nos EUA especial

Com o nome menos conhecido do que o da senadora Hillary Clinton, então até mesmo nas pesquisas, Obama estava no meio de uma campanha pelo Estado que acabou registrando sua primeira vitória em prévias democratas. E como esperado de um senador de Illinois, segundo maior em produção de milho do país, ele apresentou o endosso do etanol como um combustível alternativo.

Obama funciona como um reformista que procura reduzir a influência de interesses especiais. Mas como qualquer político, o senador tem outros círculos eleitorais poderosos que moldam seus pontos de vista. Quando o tema é o etanol americano, quase totalmente produzido do milho, Obama também possui seus conselheiros e grandes apoiadores próximos da indústria do setor num período em que a política energética se tornou um ponto de contraste forte entre as campanhas dos candidatos presidenciais.

No coração do "cinturão do milho", Obama argumentou na ocasião que abraçar o etanol "finalmente ajudaria a segurança nacional, pois agora os EUA mandam bilhões de dólares para alguns dos países mais hostis da Terra". A dependência americana do petróleo, acrescentou, "torna mais difícil para que os EUA formem sua política externa".

Hoje, quando Obama viaja pelo interior, ele costuma estar acompanhado de seu amigo Tom Daschle, ex-senador da Dakota do Norte. O ex-congressista atua para três companhias de etanol em seu escritório de advogados em Washington onde, de acordo com suas funções, ele "gasta um tempo substancial fornecendo conselhos estratégicos e políticos para seus clientes de energia renovável."

O conselheiro de assuntos de energia e meio ambiente de Obama, Jason Grumet, veio da Comissão Nacional de Políticas Energéticas, iniciativa associada com Daschle e Bob Dole, também ex-líder da maioria no senado e grande defensor do etanol, e que ainda conta com o apoio do gigante do agronegócios Archer Daniels Midland. Pouco depois de chegar ao Senado, Obama se envolveu em uma controvérsia ao usar aviões corporativos da empresa com taridas subsidiadas.

Jason Furman, diretor de políticas econômicas da campanha do senador, afirmou que as decisões de Obama sobre o etanol são baseadas em seus méritos. Questionado se o democrata teria mostrado alguma predisposição ou a defesa do etanol porque representa um dos maiores Estados produtores de milho, Furman disse que Obama "quer representar os EUA e suas políticas se baseiam no que é melhor para o país".

O etanol é um dos pontos em que Obama discorda mais do rival republicano, John McCain. Embora os dois candidatos presidenciais enfatizem a necessidade do país em conquistar a "segurança energética", enquanto diminuem as emissões de carbono que contribuem para o aquecimento global, os dois possuem visões diferentes do papel que o etanol, que pode ser produzido a partir de uma grande quantidade de materiais orgânicos, deve representar nesse esforço.

McCain defende a eliminação dos subsídios agrícolas multimilionários anuais. Como defensor do livre comércio, o republicano é contra a tarifa de 54% que os EUA impõem para a exportação do etanol à base de cana-de-açúcar, que tem mais energia e é mais barato do que o produzido do milho.

"Cometemos uma série de erros ao não adotar uma política energética sustentável, um dos quais é o subsidio ao etanol de milho, o qual alertei Iowa que iria prejudicar o mercado", e contribuir para a inflação, disse McCain em entrevista ao Estado. "Além disso, é errado" tributar o etanol à base de cana-de-açúcar brasileiro, "que é muito mais eficiente do que o de milho", acrescentou.

Obama, por outro lado, defende o subsídio, que em algumas ocasiões vai para as mãos das mesmas companhias petrolíferas que, segundo o senador, deveriam sofrer tributações sobre os lucros. Em nome da ajuda para que os EUA construam sua "independência energética", ele também defende a tarifa, o que economistas afirmam que pode ser ilegal de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o que conselheiros de Obama negam.



(de http://www.estadao.com.br/internacional/not_int194382,0.htm)

Decisões do STJ impedem a cobrança de juro "abusivo"

Fazem muito bem! O pobres são bons pagadores, pesquisas comprovam isso! Não se justifica cobrar estes juros loucos de quem menos tem...

Decisões do STJ impedem a cobrança de juro "abusivo"
Juliano Basile e Arnaldo Galvão, De Brasília
23/06/2008


A cobrança de taxas de juros abusivas pelos bancos está vetada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Duas decisões tomadas no início deste mês firmaram o entendimento de que as instituições financeiras não podem cobrar percentuais muito acima da média do mercado.

As decisões foram tomadas na 3ª e na 4ª Turma do tribunal e envolveram empréstimos de pequeno valor para pessoas de pouco poder aquisitivo. O que impressionou o STJ foi o fato de alguns bancos cobrarem mais do que o dobro ou até o triplo da taxa média de mercado a clientes de classe social baixa. "A decisão é importante, em especial para os consumidores mais humildes, por estarem sujeitos de modo geral às taxas mais altas cobradas pelos bancos e demais instituições de crédito", afirmou a ministra Fátima Nancy Andrighi, relatora de um dos processos.


No caso relatado pela ministra, o empréstimo de R$ 800 foi contratado em setembro de 2005 na financeira Losango e no banco HSBC. O pagamento deveria ser feito em seis prestações mensais de R$ 196,27. Nessas condições, o cliente pagaria R$ 1.177,62 no final do contrato. O Valor procurou ouvir as instituições financeiras, mas não obteve comentário.


O STJ verificou que a cobrança foi maior do que o triplo da taxa média de juros praticada no mercado na época (70,55% ao ano) e mais do que a Selic (19,75% ao ano). O salto de R$ 800 para R$ 1.177,62 significou 11% ao mês de juros capitalizados ou 249,85% ao ano. "A taxa não era exorbitante somente em comparação com índices oficiais", disse a ministra, referindo-se à Selic. "Mas também em confronto com os concorrentes diretos do banco que fez o empréstimo, ficando muito acima das taxas de mercado apuradas", completou.


O caso de Nancy foi julgado em 3 de junho. Na mesma semana, o ministro Sidnei Beneti foi relator de outro processo semelhante e também condenou o banco por cobrar muito acima da taxa média de mercado. Em ambos os casos, o STJ inovou porque os bancos têm se apoiado no entendimento tradicional dos tribunais de que podem cobrar mais do que 12% ao ano.


A Constituição de 1988 estabeleceu a limitação nesse percentual no artigo 192, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que esse dispositivo não foi regulamentado por lei complementar e, portanto, não pode ser aplicado. Em 11 de junho, o STF transformou esse entendimento em súmula vinculante e, com isso, condicionou a sua aplicação em todos os processos no Judiciário.


Agora, com decisões semelhantes na 3ª e na 4ª Turma, não há possibilidade de os bancos reverterem a situação na 2ª Seção do STJ. Se houvesse divergência entre as Turmas, o tema seria levado para posicionamento definitivo da Seção. Beneti explicou que essa orientação prevaleceu no STJ. Daqui em diante, o tribunal julgará as taxas abusivas dos bancos dessa forma.


Antes dessas duas decisões havia um precedente do ministro Antônio de Pádua Ribeiro. Ele já deixou o tribunal, mas, ao julgar uma ação contra um banco no ano passado, indignou-se com juros anuais de 380,78%. Era um empréstimo de R$ 1 mil, com juros de 14% ao mês. A taxa média, na época da realização do empréstimo, era de 67,81%. O ministro notou que o cliente era de classe baixa e concluiu pela condenação do banco, que estava cobrando mais do que cinco vezes a taxa de mercado.


Para o advogado Arnoldo Wald, as recentes decisões do STJ mostram que o tribunal está compreendendo que o direito deve favorecer a Justiça e ter em conta o fato econômico. "No mercado, não adianta fixar um percentual, mas, algumas vezes se ultrapassa toda a lógica e a razoabilidade. Nesses casos, os limites são dados pelo abuso de poder econômico", afirmou. Para Wald, a dificuldade está em definir a taxa média ou razoável. "Costumo dizer que a média é de quem tem a cabeça no forno e os pés na geladeira", ironizou.


Advogados especializados na defesa de bancos criticam a opção tomada pelos ministros do STJ. Otto Steiner argumenta que essa jurisprudência apresenta aparente retrocesso. Ressalta que, no passado, o tribunal adotou firme posição contra os princípios do sistema financeiro , principalmente no que se refere a juros capitalizados, desconsideração dos contratos como título executivo, impossibilidade de cobrança de valor residual antecipado no leasing e aplicação do Código de Defesa do Consumidor no conteúdo econômico dos contratos bancários, entre outros polêmicos assuntos.


Steiner afirma que, passados alguns anos, o STJ passou a aceitar, "saudavelmente", as regras do mercado financeiro. Portanto, conclui que os recentes julgamentos contra juros abusivos são, aparentemente, contrários a esses entendimentos, o que preocupa o advogado. Outro argumento dele remete a discussão ao conceito de abusividade. "É absolutamente subjetivo e tem de ser apreciado em respeito aos fatos do processo", comenta. Em tese, Steiner afirma que isso impediria um julgamento no STJ porque essa corte não julga provas e matérias de fato.


No caso relatado pela ministra Nancy Andrighi, Steiner observa que o tribunal não conheceu do recurso, o que significa que não julgou o caso. Mas, por outro lado, manteve a decisão do tribunal local. "De qualquer forma, esse entendimento significa retrocesso na posição majoritária no STJ quando se trata de direito bancário", lamenta.


Waldyr de Campos Andrade Filho é outro especialista em direito bancário que também tem críticas ao caminho seguido pelas duas Turmas do STJ. Na sua visão, as taxas de juros praticadas pelos bancos consideram o risco dessas operações. Nos contratos de crédito pessoal ou de crédito direto ao consumidor (CDC) os riscos e as perdas são maiores, o que condiciona o nível das taxas.


Andrade insiste que juros mais altos não significam, necessariamente, abuso. O advogado reafirma que as perdas das instituições financeiras nesse tipo de operação são, normalmente, elevadas. Mas o ponto central dos julgamentos do STJ, na sua opinião, é o que se entende por média de mercado. O mais apropriado, na sua interpretação, seria comparar juros da mesma espécie de operação, nas quais o risco é similar. Confrontar juros cobrados dos consumidores com a taxa básica de juros, Selic, é totalmente inadequado.


(da ValorOnLine - http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/financas/54/Decisoes+do+STJ+impedem+a+cobranca+de+juro+abusivo,08236,,54,4998496.html)